domingo, 2 de agosto de 2015

Resenha da Semana: Peter Pan Tem Que Morrer/John Verdon

Se você gosta de suspense e ótimas investigações policiais, esse é o livro certo para sua próxima leitura. Entrar na mente de David Gurney e mergulhar num emaranhado de crimes e assassinatos que num primeiro momento parecem totalmente desconexos é apenas um dos pontos altos do livro.

Eu nunca tinha lido nada do John Verdon, já tinha ouvido falar e ele estava na minha lista de leituras futuras, mas quando vi a capa e o título do livro, pensei: “Não posso adiar mais”. E eu não poderia ter feito uma escolha melhor, gostei muito da escrita do Verdon, como uma #HarlanLover amo livros policiais, e Verdon proporciona no livro uma abertura para criamos nossas próprias opiniões sobre o caso e para pensarmos junto com David qual será o próximo passo. Achei muito interessante cada capítulo do livro ter um título, e aquela mentira que contamos para nós mesmos: “Só mais um capítulo”, ganha um novo patamar quando eles têm títulos, já que dão um gostinho do que podemos esperar e vontade de avançar mais na leitura. Um ponto extremamente relevante para mim é o tamanho do capítulo, alguns livros tem capítulos longos demais e eu sou aquele tipo de leitora que gosta de parar de ler sempre no início do próximo capítulo e fiquei muito feliz por todos os capítulos terem o tamanho certo, alguns maiores outros menores, mas nenhum longo demais e por fim na parte estrutural do livro, ele é dividido em quatro partes grandes, como se fossem capítulos maiores juntando outros capítulos, eu acho essa estratégia muito válida, porque faz com que fiquemos mais animados pelo que vem pela frente e também ansiosos.

Como já falei anteriormente, esse foi meu primeiro livro do Verdon, então não conhecia o personagem principal, o detetive David Gurney. No início do livro ele é apresentado como um detetive aposentado do alto escalão da polícia de Nova York se aposentou depois de um grande caso, o do Bom Pastor, que ele cita durante todo o livro (e, claro fui pesquisar sobre e o caso do Bom Pastor está no livro: “Não Brinque Com o Fogo", lançado em 2013, pela Arqueiro e sim irei lê-lo), agora ele vive com sua esposa numa área rural e sua principal preocupação deveria ser cuidar de galinhas e do seu quintal, mas ele não consegue desligar sua mente e em todo momento fica se questionando sobre, por exemplo, se uma rocha na colina em frente a sua casa não seria uma ótima posição para um atirador. 

Quando seu amigo, também policial, Jack Hardwick, chega a sua casa com uma proposta para que Gurney o ajude a libertar Kay Spalter, que estava presa pelo assassinato de seu marido Carl Sparter, segundo Jack injustamente. Gurney fica em dúvida sobre ajudar ou não, mas uma dívida que ele tinha com Hardwick, pois no passado ele havia se prejudicado para ajudar Gurney na resolução de um caso, pesa e Gurney resolve pelo menos dar uma olhada no caso.

Logo no início podemos perceber que Gurney é muito racional, a situação pode ser muito complexa, tensa ou perigosa, mas ele fica calmo, para e pensa em qual será seu próximo passo. Enquanto eu ficava bem nervosa em algumas situações, pensava: “Vai acontecer alguma coisa”, “Ele vai morrer” ou “Algum personagem legal vai morrer”, Gurney estava lá tranquilo e pensando: “Tudo tem uma explicação lógica, só preciso desvendá-la”:

“O resumo da ópera era o seguinte: por mais que racionalizasse e contemporizasse, não conseguia dar as costas a um desafio como o caso Spalter, assim como um alcoólatra não conseguiria se afastar de um martíni depois do primeiro gole.”

Mas quanto mais Gurney investiga, mais parece estar tudo errado. Nenhum dos fatos utilizados para incriminar Kay fazem sentido. Gurney e Hardwick chegam a um impasse, enquanto o primeiro quer encontrar a verdade, o verdadeiro assassino, o segundo quer apenas provar que o julgamento de Kay foi totalmente equivocado e que um policial corrupto tinha um intenso envolvimento no caso, mas Gurney e sua mente brilhante não conseguem se afastar de uma boa investigação. Manter sua mente em funcionamento é uma necessidade para Gurney, para ele cuidar de galinhas não basta. 

Gurney mergulha então em sua própria investigação, em fatos, na caça de suspeitos e ao mesmo tempo em que parece que nada faz sentido, mais perto da verdade ele está chegando. E o inevitável parece ser a única solução: colocar sua própria vida em risco mais uma vez, mas dessa vez o mal assume uma forma inusitada, impossível de definir, mas que é totalmente letal, Peter Pan, levará Gurney ao lado mais sombrio que ele poderia chegar e nesse caminho muita destruição será a única saída. 

Quando a sua vida está em risco e até mesmo a vida daqueles que ele mais ama, Gurney se questiona sobre fatos de seu passado que podem estar influenciando suas ações, mas nada faz com que ele pare e tudo faz com que o leitor queria ler mais e mais, para descobrir as respostas e as 398 páginas passam voando.


Alguns pensamentos do Gurney são bastante interessantes e as vezes tive vontade de parar de ler e aplaudir, haha, mas não consegui parar de ler, então selecionei algumas quotes para dar um aperitivo de tudo que você irá encontrar ao ler o livro:

“Poucos comportamentos de outras pessoas são tão irritantes quanto aqueles que mostram nossas falhas de um modo pouco atraente.”

“Muito tempo atrás ele descobrira que nada faz uma conversa falsa parecer mais autêntica do que um riso não explicado. E nada torna alguém mais disposto a lhe dar alguma coisa do que a crença que você pode consegui-la facilmente com outra pessoa.”

“Mas e se ele estivesse ligando os pontos errados, criando uma imagem totalmente equivocada? E se os supostos pontos fossem apenas ocorrências aleatórias isoladas? Em ocasiões assim ele sempre lembrava, inquieto, que todos os habitantes do planeta, numa latitude específica, veem as mesmas estrelas no céu, mas não há duas criaturas que vejam as mesmas constelações. Ele vira evidências desse fenômeno repetidamente: os padrões que percebemos são determinados pelas histórias em que desejamos acreditar.”