segunda-feira, 13 de março de 2017

Resenha - A Promessa / Harlan Coben

Coben tem o dom de criar reviravoltas, quando a gente acha que já descobriu tudo, ele vai lá e nos surpreende mais uma vez.

‘A Promessa’ é o oitavo livro da Série Myron Bolitar, que foi finalmente republicado pela editora Arqueiro. Ele já havia sido publicado anos atrás pela editora ARX, então tem uma galera que já leu e durante muito tempo essa edição da ARX ficou com um status de relíquia, vendido a valores de até R$200, mas enfim agora o livro está acessível. Antes de começar a falar sobre a história do livro, preciso fazer um alerta: leia na ordem.

Eu já havia lido na edição antiga, foi o primeiro livro do Myron que li, mas a leitura agora depois de todos os outros livros foi uma experiência muito mais completa, para entender melhor o Myron e as referências a personagens e acontecimentos de livros anteriores. Pode ler fora da ordem? Claro, o livro tem início, meio e fim, mas por sua conta em risco, pois há spoliers dos livros anteriores.

Você está fazendo uma pequena reunião de amigos em sua casa e quando desce no porão para pegar mais gelo, escuta duas adolescentes falando que já pegaram carona com pessoas bêbadas, o que você faria? É fácil imaginar que Myron não iria conseguir ficar quieto. É nesse momento que ele pede para que as duas adolescentes lhe façam uma promessa, de ligar para ele caso estivessem com problemas, qualquer hora, qualquer dia, ele estaria disponível para ajudar.

O que Myron não poderia imaginar era que Aimee Biel, uma das duas adolescentes, o ligaria de madrugada para pedir uma carona para a casa de uma amiga e depois dele deixa-la na suposta casa da amiga, ela desaparece, tornando Myron a última pessoa a vê-la.

E nesse momento, ele com a ajuda do infalível Win, da Big Cindy e de Zorra, mergulha em um emaranhado de segredos, envolvendo o mundo obscuro do tráfico de drogas, o mundo também obscuro do acesso a Universidades e os segredos de adolescentes e professores de sua querida escola de Livingston.

Cada nova descoberta parece colocar Myron mais distante de descobrir o que aconteceu com Aimee: Será que ela apenas fugiu de casa, era maior de idade, afinal? Será que seu ex-namorado, com uma reputação suspeita tem envolvimento? Ou será o querido professor-orientador? Ele se pergunta do porquê fizera a promessa, e se enfrentaria as mesmas coisas se não acreditasse que Aimee era inocente. Mais uma vez, ele coloca a sua vida em risco em prol de descobrir a verdade e salvar quem ele puder.

Na vida amorosa, o livro se passa seis anos depois da última vez que Myron bancou o herói e as coisas não deram muito certo, ele vive com esse peso nas costas.

“As vitórias parecem fugir da gente. A destruição – os mortos -, por outro lado, fica à espreita, dá tapinhas no ombro, atrasa nossa caminhada, assombra nosso sono.”

Ele está namorando Ali Wilder, que segundo Win é apenas nota 7, não tem a beleza estonteante das antigas paixões do Bolitar. Lembra de uma escritora chamada Jessica Culver, a ex do Myron, mas que ele nunca consegue esquecer? Os anos separados fizeram com que ela desse um passo que nunca aceitou dar junto com o Myron, o que mexe significantemente com ele. Esperanza agora sócia do Myron na MB Representações, também dá um passo relevante e surpreendente em sua vida amorosa, enquanto Win continua o mesmo de sempre: playboy, bilionário, filantropo, psicótico e a pessoa que você sempre pode contar, para te salvar de qualquer situação, descobrimos um pouco mais do por que ele nunca perde uma briga.

Um livro do jeito que todo #HarlanLover gosta: aquele que te faz virar a noite acordado para saber o final e que te faz questionar o que você faria se estivesse no mesmo lugar dos personagens, o claro e o escuro, o bom e o mal se misturam mostrando que na vida nem sempre é tão fácil separar tudo nessa dicotomia.



“Sempre tentei fugi do que agora vejo que são meus instintos naturais – disse Myron. – Vocês sabem. Bancar o herói. Vocês dois me avisaram para não ser assim. E eu ouvi. Mas entendi uma coisa. Eu preciso fazer isso. Vou ter minhas derrotas, claro, mas vou ter mais vitórias. Não vou fugir mais. Quero ajudar as pessoas. E é o que vou fazer.”